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quarta-feira, 15 de março de 2017

Um evangelho inexistente




Por mais uma vez devo dizer que a narrativa histórica não falha – ela é a maior arma, o melhor instrumento para compreender o presente. Para tal, ressalto que a bíblia neste caso deve ser não somente para um cristão, como para qualquer pessoa que confesse outro credo, a verdadeira bússola que dá o norte, o verdadeiro cajado de exortação e o mapa que gera uma visão ampla e ao mesmo tempo holística.
O evangelho que Cristo pregou na Terra é o ensinamento perfeito que até muitos pensadores, filósofos, escritores, cientistas se renderam, mesmo que no final de suas vidas, justamente por não conseguirem combater no campo intelectual contra ela e, por fim sentirem o seu poder de transformação na alma. O evangelho também é simples. Basta dizer que foram escolhidos inicialmente homens simples para levarem a missão de evangelizar o mundo. Este mesmo evangelho passou por mudanças drásticas ao longo dos séculos, principalmente após a era dos mártires. A deturpação da mensagem da cruz ganhou espaço dentro do próprio cristianismo através da inserção de heresias horrendas e a prática de crimes que hoje são até mesmo tipificados em lei.
Não seria um equívoco afirmar que os santos apóstolos nunca pregariam o evangelho da forma que muitos atualmente pregam. Esse evangelho é o evangelho do mercantilismo e da simonia.
O clero romano na idade média, simplesmente ambicionava o poder e seus particulares interesses. As indulgências assim, figuraram como a mancha negra na história da igreja. Pedaços de madeira eram vendidos na porta da igreja como sendo pedaços da cruz de Cristo. Moedas eram trocadas por pedidos de oração. Pedaços de taças eram comercializados sob a ilusão de serem fragmentos de taças da última ceia.
Diante desta exposição pode-se perceber que a história novamente se repete mesmo que com uma roupagem um pouco diferente, mas só um pouco, já que está evidenciado o desrespeito novamente no Templo: Em uma liturgia de 2 horas, usam 1 hora para assuntos financeiros. A palavra relacionada ao dízimo tem prioridade sobre a mensagem da cruz. Várias campanhas milagrosas são realizadas ao mesmo tempo sufocando os fiéis mais simplórios com um pedido de grandes cifras. Orações já estão possuindo escalas e valores dentro de uma tabela absurda criada por lobos vorazes. Os grandes dizimistas têm maior atenção para qualquer tipo de assunto em detrimento aos servos mais humildes. Os milagres parecem não mais estar à disposição dos filhos de Deus se não houver o depósito na caixinha. A busca por cargos eclesiásticos segue uma rota que foge da vocação. A teologia da prosperidade tomou descaradamente o lugar do evangelho da Graça. Em muitos casos cobram um alto valor para que o fiel assista um sermão por web conferencia. Retiros espirituais raramente ocorrem sem que, de antemão, os cálculos sobre o lucro sejam feitos para saber a viabilidade financeira. A unção parece estar nos paletós, gravatas, ternos, sapatos fashion...
Desta maneira só resta concluir que o evangelho que estão pregando por aí não existe na bíblia. Nenhum dos apóstolos aprovaria tal depravação. Eu arriscaria dizer que Tiago infartaria, João teria síndrome do pânico, Paulo viveria com pano de saco sobre a cabeça, Pedro cortaria a própria orelha de tanta raiva, Santo Agostinho cairia num longo lamento, Elias pediria novamente a morte e Amós ficaria paralisado por dias.